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Governo aperta cerco a petistas
Na mira da metralhadora dos condestáveis do governo, José Dirceu, Palocci e Genoíno, ainda, os deputados Luciana Genro e Babá e os senadores Heloísa Helena e Paulo Paim. Ao que parece é inevitável o racha no PT. O ex-presidente da UNE, Lindenbergh Farias, hoje, é ex-radical. Caiu de quatro e achou uma posição tucana dentro do partido: é contra a reforma mas vota a favor. A preocupação de boa parte da bancada do PT, sobretudo na Câmara, passa pelo fato de que muitos estão em primeiros mandatos e temem os riscos que o governo começa a correr ao optar pela ortodoxia na política econômica, refletindo em futuros desempenhos eleitorais. Muitos comentam a boca pequena que o comando partidário age de forma autoritária, não há discussões nas instâncias do partido e o ministro José Dirceu age como chefe de polícia: se há discordâncias com a verdade absoluta do Planalto, porrete, ameaça de expulsão, típicas atitudes contrárias à história do PT. Já há os que sentem em suas bases eleitorais eventuais rachas, até pela perspectiva de um novo partido de esquerda, como pela larga penetração e conceito da senadora Heloísa Helena, hoje, símbolo da resistência de esquerda ao neoliberal governo Lula. Se já era um nome nacional desde que meteu o dedo na cara de Antônio Carlos Magalhães, um dos principais coronéis da política brasileira, em médio prazo pode se transformar na principal liderança de oposição e vir a ser fator de dificuldades para a reeleição de Lula, hoje trabalhada full time pela coordenação política do presidente. Toda a ação política do comando do PT se volta para esse objetivo e é assim que pretendem mapear o partido com vistas às eleições municipais do ano que vem, quando pretendem ocupar a maioria das prefeituras de capitais, cidades de porte médio e mesmo pequenos municípios considerados estrategicamente importantes, de olho em 2006. A não ser que haja um êxito fantástico da política econômica e para isso seria necessário que milagres fossem possíveis nesse terreno (o último milagre econômico, o da ditadura militar custa até hoje os olhos da cara e o sangue do trabalhador, na dívida externa), a bancada federal teme encolher. Acredita que, como está, o partido vira um feudo dos senadores e deputados veteranos, já com posições consolidadas junto ao eleitorado, muitos deles, há algum tempo, com perfil social democrata. O aperto no garrote vil nas mãos de José Dirceu e com auxílio de José Genoíno, pode, também em trazer um racha de maiores proporções num futuro não muito distante. A maioria acha que o partido perde com a reforma da Previdência e vai pagar um preço alto por isso. O problema é que muitos sequer sabem como se articular para enfrentar o risco da condenação sem julgamento. Mas a maioria tem medo das fotos estampadas junto aos eleitores denunciando o voto, por exemplo, a favor da taxação dos inativos. Sabem que o PFL foi vítima disso. A foto de Lula com as mãos postas diante de George Bush, no encontro na Casa Branca, provocou reações de vários setores do PT e o jornal "Folha de São Paulo", um dos maiores do Brasil, publica cópia da carta de um militante pedindo desfiliação. É lógico que o sentido das mãos postas é figurado, mas retrata fielmente o que foi o encontro dos dois presidentes. A sensação que ficou é que terminada a reunião do Mercosul, Lula correu para dizer a Bush que não há motivos para preocupação: a ALCA e o conseqüente retorno do Brasil ao estado de colônia ficam assegurados como combinado por FHC: 2005. A essa altura do campeonato há temores também que o governo brasileiro não vai mover uma palha, por leve que seja, denunciando a ação dos Estados Unidos contra Cuba e, evidente, logo em seguida contra o governo da Venezuela, o de Hugo Chávez. Tudo indica que Lula, seduzido pela reeleição, voltando sua estratégia toda para esse objetivo, vai cuidar da própria pele e jogar para a platéia, como aliás tem feito. Os que dizem que o presidente continua no palanque se perguntam até quando será possível, já que a desculpa do buraco legado por FHC esbarra num acordo entre o ex-presidente e o atual, que implica em varrer para debaixo do tapete a corrupção dos oito anos de tucanato. José Dirceu, após a entrevista de FHC a um site do PSDB, seu partido, criticando duramente Lula, telefonou para o ex-presidente e mandou um recado: boca calada não entra mosquito. Disse que novas críticas podem ser entendidas como quebra do acordado. Pelo menos naqueles termos. Tem que ser de mentirinha. E mesmo levando em conta a CPI do Banestado (Banco do Estado do Paraná). Dirceu não queria, depois passou a querer (quando viu que era inevitável), agora quer esvaziar. São 30 bilhões de reais, 10 bilhões de dólares, desviados ilegalmente para o exterior e na lista estão políticos que hoje apóiam Lula: Paulo Maluf, por exemplo. Ou oposição de faz de conta, Jorge Bornhausen, presidente nacional do PFL. Sem falar na suspeita que pagamentos das campanhas tucanas foram feitos com recursos uma conta no exterior, no J.P. Morgan, chamada "conta tucana". O saldo da conta, foi divulgado pela revista "Isto É", no final de semana, é de 176,8 milhões de dólares e dois pagamentos a empresas especializadas em material de propaganda, saíram do dinheiro dessa conta. Há uma grande incógnita sobre como Lula vai sair dessa camisa de força tecida por seus principais estrategistas. É que, se tudo der certo, tudo bem, se não der... Aí o limite da irresponsabilidade do governo atual: o preço do desastre vai ser pago por toda a esquerda, com largos reflexos na América do Sul inteira, representando, lato senso, um retrocesso sem precedentes para o avanço do movimento popular como um todo. Mas como só pensam naquilo, a reeleição... Virou um condomínio agarrado ao osso do poder (na verdade filé mignon) com tal apetite e tamanha voracidade que assusta. |